Intervenção Precoce – como estimular seu bebê

Intervenção Precoce – como estimular seu bebê

clipboard01A maior parte dos programas de estimulação precoce são dirigidos a crianças de 0 a 3 anos. Como é sabido, há grande variação no desenvolvimento das crianças e por isso é importante não fixar idades para a aquisição de habilidades.

Com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento da criança trago aqui algumas sugestões do que fazer no dia a dia especialmente de crianças com atraso em seu desenvolvimento tanto de funções motoras quanto das mentais.

Essencial que, ao estimular, você se sinta seguro e tranquilo com a situação – que o ambiente seja favorável a uma intervenção prazerosa e agradável ao bebê.

O bebê molinho, menos ativo e o mais durinho, que por isso também fica menos ativo certamente terão conquistas mais tardias das diversas fases do desenvolvimento, isso não significa necessariamente que a qualidade das conquistas seja comprometida. Importante ressaltar que a qualidade do movimento adquirido é também nosso objetivo, além do movimento em si.

A estimulação procura dar ao bebê condições para desenvolver suas capacidades desde o nascimento. Isso se aplica a todas as crianças com ou sem atraso.

O termo mais correto seria Intervenção Precoce e não Estimulação, pois todas as atividades que se realizam com a criança são estímulos. Portanto, Intervenção Precoce é, na verdade, um estímulo direcionado.

Você deve observar o que o bebê faz com facilidade e o que é difícil para ele. Cada criança é única e individual, assim, a intervenção deve ser feita de acordo com o que ela apresenta e de acordo com suas capacidades.

A família não deve alterar drasticamente seu dia a dia para estimular seu bebê, os pais devem estar dispostos e com tempo para estimular a criança, é importante que as atividades sejam agradáveis para ambos.

Cada criança tem seu próprio ritmo que os pais ou cuidadores percebem e aprendem a respeitar.

Certamente quando a criança estiver calma, sem sono, seca e alimentada é a melhor hora para realizar os exercícios.

O desenvolvimento da criança depende muito do ambiente em que ela vive. Qualquer coisa pode ser um estímulo para ela: brinquedo colorido, música, conversa, o próprio movimento da casa ou do local onde esteja. Não é interessante oferecer muitos estímulos ao mesmo tempo – o excesso de estímulos pode confundir a criança, dificultar sua concentração.

É necessário mudarmos o bebê de posição diversas vezes ao dia, enquanto estiver acordado. Novas posições farão com que ele perceba as diferentes partes de seu corpo e o relacione com o ambiente. A mudança de local também o ajuda, é bom levá-lo a vários lugares da casa.

Desenvolvimento de zero a seis meses

As pessoas evoluem de uma total dependência quando são bebês, para a capacidade de andar e para a independência em um espaço extremamente curto de tempo. Durante os primeiros meses a aquisição motora mais importante é o controle de cabeça. Isso significa que a criança deve manter a cabeça alinhada ao corpo, qualquer que seja sua posição: deitada, assentada e, mais tarde, em pé. Nessa fase inicial, o bebê irá fortalecer os músculos das costas, do pescoço e dos ombros, permitindo que ele levante a cabeça quando deitado de bruços e até se apoie nos cotovelos e nas mãos. Ele aprenderá a rolar, depois conseguirá permanecer assentado com apoio e, mais tarde, sozinho.

Hipotonia

Os músculos de nosso corpo apresentam um estado de tensão, mesmo quando estamos dormindo ou em repouso. Esse estado é chamado tônus. A hipotonia muscular ou tônus muscular diminuído é muito comum em bebês com Síndrome de Down, por exemplo, isto é, seus músculos são mais molinhos e flácidos, embora o grau de hipotonia varie de criança para criança. A hipotonia diminui com a idade. O bebezinho hipotônico se movimenta menos. Quando deitado de costas suas perninhas ficam exageradamente abertas, ele demora mais para sustentar a cabeça, assentar, ficar de pé e pode também ter dificuldades para mamar.

O tônus muscular precisa ser suficientemente alto para nos manter contra a gravidade e suficientemente baixo para que possamos nos movimentar. É necessário o diálogo tônico para o equilíbrio.

Como a hipotonia deixa o bebê mais molinho, é importante realizar os exercícios quando ele estiver desperto. Além disso, para ele colaborar mais com a estimulação, você pode fazer algumas brincadeiras que o deixarão mais alerta e participativo.

Segure-o no colo e balance-o de um lado para o outro, para frente e para trás em várias direções – como na Fig. 1.

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Outro modo de estimulá-lo é colocando-o assentado em seu colo, com as pernas sobre as suas e o corpo apoiado no seu – Fig. 2 –, e assim dar pequenos pulinhos como se fosse brincar de cavalinho.

Para o bebê com hipertonia (mais durinho) não é interessante o cavalinho da Fig. 2, pois esse movimento irá aumentar ainda mais seu tônus. Já o movimento da Fig. 1 fará bem a ele.

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Quando estiver assentado, conversando, assistindo TV, coloque o bebê de bruços sobre suas pernas, deixando os bracinhos livres e dê estímulos com suas mãos na cabeça e nos pés para que ele se movimente. Emita sons agradáveis para ele ouvir. Fig.3

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Coloque-o também de costas sobre suas pernas, brincando com ele, estimulando-o a pegar sua mão. Como você fez anteriormente, dê leves estímulos nos seus pés, empurrando-os para baixo. Fig. 4

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Crianças com hipotonia (mais molinhas) às vezes têm mais dificuldade para sugar o leite e assim precisam de mais tempo para mamar o suficiente. Os bebês alimentados no peito têm maior resistência, melhor ganho de peso e chance de maior contato afetivo com a mãe.

Quando o bebê for alimentado com mamadeira, o bico deve ser ortodôntico e com furo pequeno para que o líquido saia em gotas. Isso estimula a musculatura da boca e da face, preparando-a para movimentos usados na fala.

A posição indicada para a amamentação deve ser: o bebê com os dois braços para frente e a mãe com seu braço erguido levemente apoiando a parte superior da cabeça do bebê, para que ela não fique caída para trás.

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A postura correta na amamentação é tão valiosa quanto um exercício específico. A mamadeira, quando utilizada, deve formar um ângulo de 90 graus com a cabeça do bebê – como na Fig. 6.

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Evite deixar o bebê muito tempo na mesma posição. De lado e de bruços são posições estimulantes e adequadas.

A posição de bruços estimula o controle de cabeça e exercita a musculatura do tronco e do pescoço. Deve ficar nessa posição quando já consegue se manter com apoio dos cotovelos e movimentando a cabeça. A criança pode ficar nessa posição sem travesseiro já nas primeiras semanas de vida, sempre com a supervisão de um adulto. A partir dos cinco meses, você já pode deixá-la no chão. Fig. 7

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Se o bebê, ao ficar de barriga para cima, deixa as perninhas muito abertas pela hipotonia, é interessante manter as pernas unidas com o uso de travesseiro ou almofada como na Fig. 8.

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A posição mais adequada para dormir é de lado, com um travesseiro apoiando-o nas costas – Fig. 9. Evite que ele durma de bruços, o que pode dificultar a respiração.

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Para carregar a criança no colo, deve levá-la ora no braço direito, ora no esquerdo, formando uma cadeira com seus braços mantendo as perninhas juntas como na Fig. 10.

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A hora do banho é muito boa para estimulação – com brincadeiras, procure estimular o corpo da criança principalmente a barriga, as costas, os pés, a palma das mãos com uma esponja mais áspera ou pano atoalhado, com texturas diversas. Isso estimula a sensibilidade da pele do bebê. Converse com o bebê, conte o que está fazendo, cante. Brinque com o tom e a altura de sua voz, isso chama a atenção da criança. Fig. 11

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Ao vesti-lo, se possível, deixe seus pés e mãos livres para que ele possa tocar seus pés e movimentar-se.

Brinquedos

Os brinquedos objetivam estimular o bebê na área motora e sensorial (visão, audição, tato, olfato). Use objetos com cores vivas, brilhantes, de formas e tamanhos diferentes, que produzam sons e efeitos diversos, com materiais variados, como pano, espuma, plástico, metal, madeira. É importante lembrar que é por meio da brincadeira que a criança desenvolve a percepção do espaço, aprende a relacionar-se com o outro e a descobrir e descobrir-se. O brinquedo favorece o relacionamento da criança com o ambiente, a criatividade e a autoconfiança.

Todo bebê leva à boca o que estiver ao seu alcance, pois a primeira forma de explorar o ambiente é por meio da boca e, mais tarde, da visão e do tato. Por isso, evite objetos sujos, cortantes, pontiagudos.

Brinquedos no berço constituem uma fonte de estímulo visual. Se a posição dos brinquedos for trocada de tempos em tempos (algumas semanas), o bebê será ainda mais estimulado na área da visão. Mais tarde, quando colocar o bebê reclinado, ele poderá tocar com as mãos e os pés brinquedos que produzam som. A criança aos poucos aprenderá que o som acontece quando ela encosta no objeto. Nesta fase, caixinha de música, por exemplo, é adequada e estimulante. Fig. 12

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Exercícios

Alguns exercícios feitos regularmente também contribuem para o desenvolvimento do bebê.

Inicie balançando a criança de um lado para o outro, para frente e para trás. Esse é um bom exercício para estimular o equilíbrio.

Depois coloque o bebê de bruços, de modo que ele possa olhar um objeto colocado não muito distante (por volta de 30 cm). Utilize um rolinho de espuma ou uma toalha embaixo de seu peito, mantendo os braços apoiados à frente. O rolo não deve ser muito grande para não forçar a coluna do bebê. Fig. 13

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Chame sua atenção para que ele possa virar a cabeça para um lado e para o outro. Como ele está desenvolvendo a visão brinquedos com cores fortes são bem-vindos.

Com a criança de barriga para cima, faça-a rolar lentamente para um lado e para o outro, olhando objetos coloridos colocados ao lado. Fig. 14

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Se você der um apoio no quadril ou ombro do bebê, ele virará mais facilmente. Tenha o cuidado de não fazer o movimento por ele, a ideia é estimulá-lo a fazer o movimento por si mesmo. Cuide para que o braço que fica por baixo fique livre à frente do corpo.

Coloque a criança no chão ou numa superfície firme, de bruços, com um rolinho debaixo do peito. Espalhe poucos brinquedos coloridos à sua frente para chamar sua atenção. Você pode mantê-la pelas coxas ou pelo quadril, empurrando-a lentamente para frente e para trás. Fig. 15 Esses exercícios ajudam a fortalecer a musculatura do pescoço e do tronco.

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Faça barulhos com chocalho, guizo, apito, palmas, música em torno da cabeça do bebê para que ele olhe na direção dos sons. Fig. 16

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Segure o bebê em pé, apoiado, de costas para você, encostado em seu corpo, para que ele sinta o peso sobre os pés. Fig. 17. Sustente com apoio o quadril e o tronco da criança, mas deixe seus braços livres.

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Estimule-o a bater palmas segurando nos cotovelos Fig. 18. Ou então coloque o bebê assentado apoiado em almofadas, chamando a atenção dele com brinquedos e com sons para que ele tente pegar ou virar a cabeça.

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Dê à criança bichinhos de borracha bem macios que tenham pontas (rabinho, orelhas, etc.) para que ele coloque na boca – isso faz com que movimente a língua e traz sensações agradáveis.

Com a criança deitada de costas, estimule a virar de lado e a apoiar o peso sobre o cotovelo. Ajude a elevar o ombro e cabeça do chão, como se fosse assentar. Chame sua atenção com brinquedos coloridos e sons. Fig. 19.

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Você também pode fazer o exercício inverso: com a criança assentada, ajude-a a deitar, primeiro sobre um lado e depois de costas. Evite que ela desmorone, é necessário aprender a controlar a cabeça.
Enfim, tão importante quanto a estimulação física é o contato com seu bebê. Converse sempre com ele, se estiver triste diga a ele o que entristece; se alegre, conte o motivo da alegria, fale de suas frustrações e de suas realizações, de seu amor incondicional e de suas dúvidas. Mantenha-o próximo a você para aquecê-lo e protegê-lo.

O bebê cresce e assim aumentam suas chances de se tornar um adulto com respeito e respeitado pelo mundo.

PS: Estas observações e atividades também são válidas e importantes para pessoas que trabalham com crianças.

Fonte: cartilha escrita por Denise A. S. Batista, Maria Cecília S. de Oliveira, Maria Teresa G. R. Campos, Nina A. B. Pagnan, Sonia Casarin.

 

Primeira youtuber com síndrome de Down do país muda conceitos da deficiência intelectual no Brasil

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Cacai Bauer, primeira youtuber brasileira com síndrome de Down

A revolução que as pessoas com síndrome de Down têm feito no país continua a descortinar um mundo cheio de possibilidades e de surpresas naqueles que muitos imaginavam como bocós sem chance de darem conta até de si mesmos. Aos poucos, o mantra do “ser diferente é normal”, emanado por gente que se nega a ser enterrado por preconceitos, vai colando no mundo moderno.

Pessoas com um cromossomo a mais já chamaram a atenção por ingressarem na faculdade, serem protagonistas de filmes e agitarem pistas de dança. Agora é a vez de Cacai Bauer, 22, ganhar o título de primeira down a manter um canal de vídeos na internet. Ela já conta quase 400 mil visualizações em suas produções.

Difinitivamente”, como diria minha tia Filinha que completou 91 anos, não sou um ser bonzinho que bate palmas para menino que faz malabarismo tosco no sinal e se diz aprendiz do Cirque du Soleil, por isso, e por eu ser um “malacabado” ranzinza, achei vários dos episódios de Cacai chatos, colados de outros youtubers e com graça questionável.

Você não entende que a menina tem problema?” É óbvio que os efeitos e impactos da deficiência intelectual da garota precisam ser entendidos, relevados e considerados na média ponderada. Mesmo assim, o meu gosto não se altera. Não subestimo, mas também não elevo ninguém apenas por características físicas, sensoriais ou intelectuais.

Deficiência não deve jamais abrir caminho para a valorização ou desvalorização de alguém. Ela pode e deve ser botada na balança para tomada de decisões, políticas públicas e dar acesso, mas não pode ser o fator que leva a um pensamento de aprovação, de “curtir”.

Paternalismo, dó, assistencialismo servem apenas para preservar um lugar de conforto, são afagos pontuais para quem precisa de um curso completo de como se firmar e ser valorizado como cidadão capaz, dentro de suas possibilidades, de ser engraçado, de ser profissional, de ser o que tem vontade.

Dito tudo isso, sem medo de ser contraditório, o canal de vídeos de Cacai é genial, faz história, rompe uma fronteira inclusiva —a da imagem estigmatizada— e contribui de maneira ímpar para o avanço do reconhecimento das pessoas com síndrome de Down no país.

A jovem baiana não só revela um talento artístico, de improvisação e de acuidade técnica incríveis, como resiste e se fortalece com críticas impiedosas de comentaristas de internet que faz questão de não apagar, mas de enfrentar e de observar para fazer melhor.

O mais importante nos vídeos protagonizados por Cacai (que vão de paródias musicais a listas de preferências e sátiras) é o conteúdo que ela não mostra ao público, mas que fica implícito em sua segura teatralidade, no seu desenvolto palavreado, em sua capacidade de driblar imposições severas impostas pela síndrome, como possível dificuldade de se expressar, falta de segurança para tomar atitudes, receio de enfrentar o desconhecido, memorização dos papéis.

O recado maior dado pelo ineditismo da ação da youtuber é que a fórmula da inclusão de fato está pronta e leva esperança a milhares de pessoas. Trata-se de estímulos frequentes, valorização e apoio familiar, enfrentamento de estereótipos e todos juntos para tudo.

Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de deficientes e de cidadania. Aqui, você encontra histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou de idade, vive de forma plena.

Acesso: http://assimcomovoce.blogfolha.uol.com.br/2016/10/05/primeira-youtuber-com-sindrome-de-down-do-pais-muda-conceitos-da-deficiencia-intelectual-no-brasil/

BPC -Benefício de Prestação Continuada

clipboard01Tenho percebido a falta de informação quanto às leis e aos direitos das pessoas com deficiência e dos idosos.

Penso que o texto abaixo é esclarecedor e nos orienta quanto a onde e como buscar os direitos.

Boa leitura!

BPC -Benefício de Prestação Continuada
Um direito garantido pela Constituição Federal

BPC é um benefício da assistência social, integrante do Sistema Único de Assistência Social – SUAS, pago pelo Governo Federal e assegurado por lei, que permite o acesso de idosos e pessoas com deficiência às condições mínimas de uma vida digna. Já são mais de 2 milhões de pessoas beneficiadas sob a coordenação do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Os beneficiários ganham independência, autonomia e participam muito mais da vida comunitária. Em muitas regiões, o BPC movimenta o comércio da cidade. Se você recebe o BPC, leia com atenção este manual. Entenda quais são os seus direitos e quais são as suas responsabilidades. Se você não recebe, informe-se e verifique se você, ou alguém que conheça, atende aos critérios do programa. Com a sua ajuda, o Brasil vai ser um país de todos. Um país que assegura direitos e oportunidades para todos.

O que é o BPC

O BPC é um benefício da assistência social. Isso significa que o BPC é um direito dos cidadãos brasileiros, que atendem aos critérios da lei e que dele necessitam. O valor do BPC é de um salário mínimo, pago por mês às pessoas idosas e/ou com deficiência que não podem garantir a sua sobrevivência, por conta própria ou com o apoio da família.

Quem pode receber o BPC?

Podem receber o BPC pessoas idosas com 65 anos ou mais e pessoas com deficiência. O benefício é destinado a idosos que não têm direito à previdência social e a pessoas com deficiência que não podem trabalhar e levar uma vida independente.

A renda familiar nos dois casos deve ser inferior a 1/4 do salário mínimo.

Como saber se você tem direito ao BPC?

Idosos – Você precisa comprovar que tem 65 anos ou mais, que não recebe nenhum benefício previdenciário e que a renda da sua família é inferior a 1/4 do salário mínimo por pessoa.

Pessoas com deficiência – Você deve comprovar que a renda da sua família é inferior a 1/4 do salário mínimo por pessoa e que não recebe nenhum benefício previdenciário. Deve comprovar, também, a sua deficiência e o nível de incapacidade por meio de avaliação do Serviço de Perícia Médica do INSS.

Renda Familiar por pessoa: Saiba como calcular a sua

O que é: renda familiar por pessoa é a soma total da renda de toda a família, dividida pelo número de membros que fazem parte do núcleo familiar, vivendo na mesma casa. Quais as pessoas da família que você deve colocar nesta conta: se estas pessoas vivem no mesmo teto que o seu, elas podem participar da conta.

  • Esposa/Esposo

  • Companheiro/Companheira

  • Filhos/Filhas, menores de 21 anos ou inválidos

  • rmãos/Irmãs,menores de 21 anos ou inválidos

  • Pai/Mãe

Como fazer a conta: some todos os ganhos destas pessoas e divida o resultado pelo número de pessoas que fazem parte da sua família. Por exemplo: com o salário mínimo no valor de R$ 300,00, 1/4 deste valor são R$ 75,00.

Como você pode requerer o BPC?

Se você tem direito a receber o BPC, não é necessário nenhum intermediário. Basta dirigir-se à agência do INSS mais próxima da sua casa, levando consigo os documentos pessoais necessários. veja a seguir quais são eles. Algumas prefeituras também podem orientar você. Confira se a prefeitura da sua cidade pode ajudá-lo. É fundamental que as informações que você fornecer estejam corretas e atualizadas.

Quais são os documentos que você precisa levar para o requerimento?

Levar os documentos exigidos é importante para que seja possível avaliar se você tem direito ao BPC. Por isso, não esqueça: quando você fizer o seu requerimento, leve os seus documentos e os documentos da sua família. Seus documentos:

  • Certidão de nascimento ou casamento;

  • Documento de identidade, carteira de trabalho ou outro que possa identificar quem é você;

  • CPF, se tiver;

  • Comprovante de residência;

  • Documento legal, no caso de procuração, guarda, tutela ou curatela.

Documentos da sua família:

  • Documento de identidade, carteira de trabalho, CPF, se houver, certidão de nascimento ou casamento ou outros documentos que possam identificar todas as pessoas que fazem parte da família e suas rendas.

Deve ser preenchido o Formulário de Declaração da Composição e Renda Familiar. Este documento faz parte do processo de requerimento e será entregue a você no momento da sua inscrição.

Em alguns casos, o beneficiário precisa ser representado por outra pessoa para receber o BPC. Escolha uma pessoa da sua confiança

Nesses casos, serão necessárias procuração, guarda, tutela ou curadela

Procuração – A procuração é útil em caso de problemas de saúde ou nos casos em que a pessoa não pode se movimentar. Você deve escolher uma pessoa da sua confiança para representá-lo. Essa pessoa, escolhida por você, será o seu procurador.

Guarda – Se você é responsável por uma criança ou adolescente, mas não é pai ou mãe deles, você deve comprovar a guarda com o documento.

Tutela – Quando os pais das crianças ou adolescentes (menores de 18 anos) são inexistentes, é necessário que o juiz nomeie um tutor

Curatela – Este documento é necessário para o responsável por maiores de 18 anos que não possuem nenhum discernimento. Estas pessoas são consideradas, pela lei, incapazes para atos da vida civil. A curatela não é obrigatória para ter direito ao BPC. E deve ser usada em casos de real necessidade.

Lembre-se: só autorize pessoas de sua confiança.

Como saber se seu requerimento foi aprovado para receber o BPC?

O INSS enviará uma carta para a sua casa informando se você vai receber ou não o BPC. Essa carta também informará como e onde você receberá o dinheiro do BPC.

Se você tiver direito ao BPC, em até 45 dias após a aprovação do seu requerimento, o valor em dinheiro já estará liberado para você sacar.

Como o BPC é pago?

Quem tem direito ao BPC recebe do banco um cartão magnético para usar apenas para o BPC.

Você não precisa pagar por isso. Nem é obrigado a adquirir nenhum produto do banco para receber o seu cartão. Com ele é muito fácil sacar o dinheiro nos bancos que pagam o BPC.

Mais de uma pessoa pode receber o BPC na sua família

Para que mais de uma pessoa receba o BPC na sua família, a regra não muda: a renda familiar por pessoa tem que ser menor que 1/4 do salário mínimo. Por isso, fique atento ao modo de fazer esta conta nos dois casos.

Se você é idoso – Se já existe um idoso que recebe o BPC na família, este valor NÃO entra no cálculo da renda familiar.

Se você é pessoa com deficiência – Se já existe alguém na família, idoso ou deficiente, que já receba o BPC, este valor entra no cálculo da renda familiar.

Em caso de morte, o BPC não pode ser transferido para outra pessoa da família

O BPC não é transferido em caso de morte. Por exemplo, se os pais falecerem, o direito de receber o BPC não passa para os filhos. Somente os valores não retirados em vida pelo beneficiário pode passar para outras pessoas da família.

De onde vem o dinheiro que paga o BPC?

Todo o dinheiro do BPC vem do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Esse Ministério cuida do Fundo Nacional de Assistência Social. O BPC investiu 7,5 bilhões de reais em 2005 e está atendendo mais de 2 milhões de brasileiros. E estes números não param de crescer e de beneficiar mais brasileiros que não têm condições de viver com dignidade.

As leis que garantem o direito ao BPC

A Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS regulamentou o BPC, que está previsto na Constituição Federal. Em 2003, o Estatuto do Idoso reduziu de 67 para 65 anos a idade mínima para o requerimento dos idosos. Assim, mais idosos puderam receber o BPC.

Lembretes: O cartão do BPC é seu. Cuide bem dele

Não empreste o seu cartão, nem diga a sua senha para ninguém. Em caso de perda ou roubo, informe imediatamente ao banco onde você recebe o BPC.

Não esqueça de informar seu endereço. Se você mudar de endereço, informe à agência do INSS mais próxima da sua casa. Não esqueça de informar também a ocorrência de óbito (se falecer a pessoa que recebe o BPC).

Qualquer pessoa pode requerer o BPC. Você não precisa pagar a ninguém para fazer isso por você

BCP é lei. Se alguém ficar com seu cartão, isso é crime. O Estatuto do Idoso é muito claro. Ninguém tem o direito de reter o cartão de um idoso que recebe o BPC, seja qual for a situação. Isso é crime e está no Estatuto do Idoso, artigos 102, 103 e 104.

As informações devem ser atualizadas. A lei obriga que de dois em dois anos seja feita uma revisão na lista das pessoas que recebem o BPC. Isso quer dizer que, a cada dois anos, é verificado se as condições que garantiram o direito ao BPC ainda são as mesmas. A atualização das informações é importante para que o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome pague o valor em dinheiro do BPC somente para quem realmente precisa dele. Quem realiza esta revisão são as Secretarias Estaduais e Municipais de Assistência Social, junto com o INSS e com o Ministério. Você pode contar com a orientação do Centro de Referência Social – CRAS Casas das Famílias ) e das Secretarias Estaduais e Municipais de Assistência Social.

O BPC pode deixar de ser pago. O pagamento do BPC só é garantido enquanto as pessoas que têm direito a ele continuarem atendendo às exigências da lei. Por isso, você deve sempre manter seus dados e informações em dia. Só assim o BPC tem o controle de quem precisa ou não do dinheiro. Se você fizer a sua parte, o BPC vai continuar ajudando a melhorar a sua vida e a de muitos brasileiros.

O BCP não é aposentadoria. O BPC não dá direito ao 13º pagamento

Irregulariedades

A legislação diz que qualquer pessoa que tenha conhecimento de alguma irregularidade no pagamento do BPC deve denunciar, junto ao MDS, INSS ou Ministério Público. Se você souber de alguma irregularidade, denuncie.

Para Saber Mais

  • Informe-se nas Secretarias de Assistência Social do seu município.

  • Procure os Centros de Referência de Assistência Social – CRAS (Casa das Famílias) no seu município, se houver.

  • Procure a agência do INSS mais próxima da sua casa.

  • Ligue para o Prevfone: 0800-780-191

Acesso em: http://www.pessoacomdeficiencia.sp.gov.br/beneficio-bpc

Acessibilidade para todos

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“Se o lugar não está pronto para receber todas as pessoas, o lugar é deficiente.” – Thais Frota

Não são coitadinhos

Mariana Lajolo


Silvânia ficou cega na infância. Verônica sofreu um AVC (acidente vascular cerebral). Yohanssom nasceu sem as duas mãos. Uma infecção levou Alan a ter as duas pernas amputadas aos 21 anos. Clipboard01José sofreu um acidente de trabalho e ficou paraplégico.

Limitações são parte da vida dessas pessoas. Todos já passaram por momentos de dificuldades e/ou preconceito. Eles e os cerca de 4.000 atletas que disputam os Jogos Paralímpicos do Rio a partir do dia 7 de setembro.

O evento não atrai a mesma quantidade de dinheiro, torcedores, esportistas e audiência quanto a Olimpíada convencional. É fato. Mas já ganhou espaço e respeito, tanto que acompanha o calendário do irmão mais badalado.

Por isso, está na hora de tirá-lo cada vez mais da sombra – embora alguns ainda o mantenham lá, vide o revezamento da tocha, que na maior parte do tempo ficará limitado a instituições que trabalham com deficientes.

A história que os atletas paraolímpicos querem escrever, no entanto, não é a da superação da deficiência. Isso já fizeram faz tempo. Querem superar o cronômetro, a barreira, o adversário. Ser mais rápidos, mais fortes, melhores.

Tire da cabeça o estereótipo de deficiente que a sociedade ainda insiste em manter e encare esses atletas como você encarou Michael Phelps ou Usain Bolt. Nem mais nem menos. Igual.

Não acredita?

A cubana Omara Durand tem deficiência visual, enxerga a dois metros de distância o que você vê a 60 metros e já correu os 100 metros rasos em 11s48. Se disputasse a principal competição de atletismo do nosso país, o Troféu Brasil, sairia com medalha de bronze. Jason Smith, um irlandês que tem apenas 10% de visão, chegaria em sétimo na mesma prova.

Markus Rehm, um alemão que não tem parte de uma das pernas, já saltou 8,40m. Esqueça a final brasileira em que ele ganharia a medalha de ouro com 21 cm de vantagem. Com essa marca, Rehm teria saído dos Jogos Olímpicos de agosto no Rio com o título do salto em distância.

Há muita discussão sobre o quanto a prótese ajuda ou não a pular mais longe, é verdade. Então veja o resultado de Silvânia Silva. Com seus 5,46m no salto em distância, a brasileira ficou a 4 cm de figurar entre as 12 melhores do Brasil sem deficiência. Ela é cega e salta com a venda – assim, não enxerga absolutamente nada.

André Brasil tem uma perna mais fina e 5 cm mais curta do que a outra, calça 43 num pé e 36 no outro. Com sua melhor performance seria um dos 16 homens mais velozes nos 50 m livre no último Troféu Maria Lenk – chegaria em oitavo na final B. Esta é a principal prova dos brasileiros na natação.

Siamand Rahman, um iraniano gordinho cadeirante com mais de 107 kg, levanta 296 kg deitado, como num exercício de supino na academia. Na Rio-2016 quer chegar a 300 kg.

São atletas treinados, de alto nível, em busca de recordes e performances marcantes. Não conseguem seus resultados “apesar da deficiência”, mas sim por causa de muitas horas de treinos e dedicação. Às vezes, muito mais do que os esportistas das modalidades convencionais.

Não são coitadinhos.

fonte: Texto de Mariana Lajolo no caderno Esportes da Folha de São Paulo de 02/09/16

Lei Brasileira de Inclusão (LBI) e o acesso à educação

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Após 15 anos de tramitação e um árduo trabalho de consultas e audiências públicas por todo o Brasil, entrou em vigor em janeiro de 2016, a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), o antigo Estatuto da Pessoa com Deficiência. A legislação passou por importantes transformações – trabalhadas em conjunto com toda a sociedade – e hoje assegura e institui direitos em áreas fundamentais como a da educação.

No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho. Se pudesse resumir em poesia a realidade de muitos estudantes com deficiência no Brasil, as palavras de Carlos Drummond de Andrade cairiam muito bem. Ter uma deficiência em nosso país e ao mesmo tempo frequentar a escola são variáveis que muitas vezes não se encaixam em uma mesma sentença.

Uma decisão infeliz da 2ª Vara da Fazenda Pública de Florianópolis garantiu por meio de uma liminar o direito de instituições particulares de ensino do estado cobrarem taxas extras de alunos com deficiência. O pedido, encaminhado pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de Santa Catarina (Sinepe/SC), felizmente, não vingou, já que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por ampla maioria a improcedência da ação. Os votos de alguns dos ministros chamaram a atenção para a necessidade de se combater o preconceito. Desse modo, o acesso de crianças e adolescentes com algum tipo de deficiência à educação na rede pública e nas escolas privadas não pode mais ser negado sob qualquer argumento e também está proibida a cobrança de qualquer valor adicional nas mensalidades e anuidades.

A decisão do STF baseou-se na constitucionalidade da LBI. De acordo com legislação, é dever do Estado, da família, da comunidade escolar e de toda a sociedade assegurar educação de qualidade à pessoa com deficiência, colocando-a a salvo de toda forma de violência, negligência e discriminação. Para isso, a Lei Brasileira de Inclusão traz uma série de inovações na área, como a oferta de um auxiliar de vida escolar na educação básica e a multa e reclusão ao gestor que recusar ou dificultar o acesso ao estudante com deficiência. Isso significa que nenhuma escola particular poderá, por exemplo, cobrar tarifa aditiva ou recusar sua matrícula.

Há um esforço junto ao Conselho Nacional de Educação (CNE) para que os cursos de ensino superior revejam suas grades curriculares. Dessa forma, faculdades de arquitetura e engenharia poderão oferecer disciplinas de acessibilidade. Assim, recém-formados estarão preparados para projetar serviços e obras que contemplem o Desenho Universal. A mesma lógica valerá para os cursos de medicina, que poderão incluir disciplinas como genética humana. Dessa forma, novos médicos saberão lidar com diagnósticos, como autismo ou doenças raras, de maneira clara e segura. O impacto dessa mudança é maior do que se imagina e começará a ser sentido em poucos anos, quando as primeiras turmas com esses conhecimentos se formarem.

Ainda nas faculdades, a LBI estabelece a adoção de medidas individualizadas e coletivas em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social dos alunos com deficiência, favorecendo o acesso, a permanência, a participação e a aprendizagem. A legislação também traz provisões com relação à oferta de educação bilíngue: agora a Língua Brasileira de Sinais (Libras) passa a ser reforçada como a primeira língua para surdos. E na modalidade escrita, a Língua Portuguesa passa ser secundária em escolas e classes bilíngues ou inclusivas.

Mas, além da discriminação praticada por instituições privadas, há também o descaso de nossos gestores públicos. No começo deste ano, a Prefeitura de São Paulo, por exemplo, diminuiu o repasse destinado ao TEG (transporte escolar gratuito), e diversos alunos com deficiência perderam a condução. Sem alternativa, muitas mães foram obrigadas a deixar as crianças em casa. Outras tiveram de largar o emprego para levar e buscar seus filhos. E mesmo aquelas que conseguiram o transporte escolar foram forçadas a aceitar um serviço mal prestado, com o condutor aparecendo três vezes por semana. Até que ponto os interesses de instituições e gestores, que se dizem trabalhar pela educação, podem sobrepor os direitos humanos?

Costumo muito dizer que entre todas as políticas públicas, a educação é que mais poder de transformação tem sobre um ser humano. Mas todos os exemplos bem-sucedidos só aconteceram pela parceria entre Estado, escola e comunidade. A própria LBI é um exemplo dessa parceria, já que é um projeto construído em grande parte com a sociedade civil.

Agora temos a missão de compreender toda a dimensão dessa legislação robusta e fazer com que ela seja cumprida na prática. A nação dos mais de 45 milhões de brasileiros com deficiência conta agora com uma ferramenta para exigir seus direitos.

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Autora: Mara Gabrilli, 48 anos, é tetraplégica. Publicitária e psicóloga, atualmente é deputada federal e secretária da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados e foi relatora da Lei Brasileira de Inclusão (LBI). Empreendedora social, fundou em 1997 o Instituto Mara Gabrilli, ONG que apoia atletas com deficiência, promove o Desenho Universal e fomenta pesquisas científicas e projetos sociais.

Licenciada pelo Instituto Rodrigo Mendes e DIVERSA.