Primeira youtuber com síndrome de Down do país muda conceitos da deficiência intelectual no Brasil

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Cacai Bauer, primeira youtuber brasileira com síndrome de Down

A revolução que as pessoas com síndrome de Down têm feito no país continua a descortinar um mundo cheio de possibilidades e de surpresas naqueles que muitos imaginavam como bocós sem chance de darem conta até de si mesmos. Aos poucos, o mantra do “ser diferente é normal”, emanado por gente que se nega a ser enterrado por preconceitos, vai colando no mundo moderno.

Pessoas com um cromossomo a mais já chamaram a atenção por ingressarem na faculdade, serem protagonistas de filmes e agitarem pistas de dança. Agora é a vez de Cacai Bauer, 22, ganhar o título de primeira down a manter um canal de vídeos na internet. Ela já conta quase 400 mil visualizações em suas produções.

Difinitivamente”, como diria minha tia Filinha que completou 91 anos, não sou um ser bonzinho que bate palmas para menino que faz malabarismo tosco no sinal e se diz aprendiz do Cirque du Soleil, por isso, e por eu ser um “malacabado” ranzinza, achei vários dos episódios de Cacai chatos, colados de outros youtubers e com graça questionável.

Você não entende que a menina tem problema?” É óbvio que os efeitos e impactos da deficiência intelectual da garota precisam ser entendidos, relevados e considerados na média ponderada. Mesmo assim, o meu gosto não se altera. Não subestimo, mas também não elevo ninguém apenas por características físicas, sensoriais ou intelectuais.

Deficiência não deve jamais abrir caminho para a valorização ou desvalorização de alguém. Ela pode e deve ser botada na balança para tomada de decisões, políticas públicas e dar acesso, mas não pode ser o fator que leva a um pensamento de aprovação, de “curtir”.

Paternalismo, dó, assistencialismo servem apenas para preservar um lugar de conforto, são afagos pontuais para quem precisa de um curso completo de como se firmar e ser valorizado como cidadão capaz, dentro de suas possibilidades, de ser engraçado, de ser profissional, de ser o que tem vontade.

Dito tudo isso, sem medo de ser contraditório, o canal de vídeos de Cacai é genial, faz história, rompe uma fronteira inclusiva —a da imagem estigmatizada— e contribui de maneira ímpar para o avanço do reconhecimento das pessoas com síndrome de Down no país.

A jovem baiana não só revela um talento artístico, de improvisação e de acuidade técnica incríveis, como resiste e se fortalece com críticas impiedosas de comentaristas de internet que faz questão de não apagar, mas de enfrentar e de observar para fazer melhor.

O mais importante nos vídeos protagonizados por Cacai (que vão de paródias musicais a listas de preferências e sátiras) é o conteúdo que ela não mostra ao público, mas que fica implícito em sua segura teatralidade, no seu desenvolto palavreado, em sua capacidade de driblar imposições severas impostas pela síndrome, como possível dificuldade de se expressar, falta de segurança para tomar atitudes, receio de enfrentar o desconhecido, memorização dos papéis.

O recado maior dado pelo ineditismo da ação da youtuber é que a fórmula da inclusão de fato está pronta e leva esperança a milhares de pessoas. Trata-se de estímulos frequentes, valorização e apoio familiar, enfrentamento de estereótipos e todos juntos para tudo.

Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de deficientes e de cidadania. Aqui, você encontra histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou de idade, vive de forma plena.

Acesso: http://assimcomovoce.blogfolha.uol.com.br/2016/10/05/primeira-youtuber-com-sindrome-de-down-do-pais-muda-conceitos-da-deficiencia-intelectual-no-brasil/

Quero estar conectada!

Clipboard01Ela é uma senhorinha adorável. Há tempos nos encontramos semanalmente e passamos preciosos minutos conversando, trocando ideias e afetos.

Quando da perda de seu marido, mergulhou em uma tristeza profunda. Com coragem e determinação, soube surrar as mágoas, curtir as boas lembranças. Sabe como ninguém fazer uso do “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”.

Busca todos os dias a leveza. Do alto de seus 80 anos ela me ensina a ver graça, a sorrir. Seus olhos ficam marejados facilmente. A emoção está impregnada em toda ela.

Começamos nosso trabalho juntas na busca de concentração, de resgate de palavras que ficavam perdidas na ponta da língua.

Na véspera de um Natal começa e me indagar:

– O que é e-mail?

– Como as pessoas se comunicam dentro do computador?

– É seguro?

– Tem perigo das pessoas virem à minha casa, descobrirem onde moro?

– Endereço sem ser da rua?

Perguntas que eu buscava responder e que atestavam minha ignorância no assunto.

Por fim, chego para nosso encontro no salão de festas de seu prédio, onde religiosamente me espera, e ela dispara:

– Maria Lúcia, descobri que quero estar conectada! Você me ajuda?

Mas como? Logo eu, tão reclusa e com tantas dificuldades em conectar-me?

– Pois sim, claro que ajudo.

O socorro nesse caso seria mútuo. Como, aliás, quase que invariavelmente acontece.

Vamos nós pesquisar sobre tablet, marcas, perfil do usuário, até chegarmos à conclusão de que um Samsung atenderia muito bem à necessidade de minha amiga de calendário – assim nos chamamos na tentativa de nomear uma convivência afetiva e harmônica.

E iniciamos o outro ano com o compromisso de criarmos uma conta de e-mail (“mas eu vou ter que pagar?”), uma senha (“precisa ficar bem guardada, né?; “posso dar aos meus filhos?”) e de destrincharmos as possibilidades que aquela maquininha bonitinha em sua mão nos daria.

– Bom dia, Samsung!

Eu me emociono com a vitalidade dessa querida senhorinha.

Acreditem, tem dias que ela amanhece dando bom dia ao seu Samsung. Ela pressiona o microfone do Google e pede músicas, variadas, às vezes, Roberto Carlos; às vezes, Julio Iglesias; noutras, músicas de seu tempo de mocinha.

Envia e-mail para seus filhos, genros, netos. Adora receber novidades – estar conectada. Até me ensinou sobre instagram – onde tem uma conta!

Interessa-se pelo que acontece e se posiciona. Sempre busca ver com humildade e humanidade a confusão que nós humanos fazemos deste mundo.

Lê seu jornal no fim de semana, adora folhear, buscar as notícias, se informar.

Ainda que vez ou outra tropece na palavra que some quando quer explicar algo, ela não se dobra, passa a mão displicente no rosto – como é mesmo isso? Ih, fugiu! – e segue contando o caso, rindo da vida e para a vida.

Temos um caderno de atividades. Na verdade, dois. Trocamos semanalmente para que ela possa se exercitar durante a semana e me mostrar nos encontros.

Este último “para casa” foi complicado. Exigia mais de sua concentração e agilidade.

Dentro de um espaço emoldurado e quadriculado, uma tabela, sílabas que se referiam na horizontal a números e na vertical a letras. Ao dar o comando, por exemplo, da letra A com o número 4, ela buscaria no quadro e encontraria a sílaba “DO”, que junto com o próximo comando (A4+C1), formaria uma palavra (DO+CE=DOCE).

Para uma senhora de 80 anos, caseira, solitária, formada professora na década de 50, que em minha companhia busca manter-se concentrada e com as palavras em ordem, não foi fácil entender esse exercício.

Já estávamos finalizando nosso encontro, expliquei como era a atividade, fizemos alguns como exemplos e ela levou para casa.

Hoje, ao ir encontrá-la, pensei: vamos precisar de um tempo maior naquele exercício. Melhor começar por aí para esclarecermos a tarefa e ela aprender.

Qual não foi minha surpresa quando ela:

– Maria Lúcia, adorei este exercício! Quero que você me dê mais dele para fazer.

Fiquei emocionada ao abrir o caderno e ver o quadro completo. Ela buscou as sílabas e montou as palavras corretamente.

“Foi difícil”, ela disse. “Mas não desisti”.

Bati palmas, expressei minha alegria ao ver que ela alcançou o que buscamos – concentrou-se, montou palavras, deu significado ao seu raciocínio.

– Sabe, teve alguém que me disse que esse é um exercício para menino que está aprendendo a ler.

Com uma pontada de ressentimento ela me conta. Sentiu-se pequenininha.

Ao considerar chinfrim o exercício, alguém apontou sem valor a pessoa que o fez – assim se viu a senhorinha.

Ariano Suassuna nos disse certa vez que para enfrentarmos o trágico da existência uma das saídas é o sonho. A outra, o riso.

Fernando Sabino, Hélio Pellegrino, Otto Lara Resende e Pedro Nava assentados em um banco à frente da Biblioteca Pública, na Praça da Liberdade, têm encontro marcado com a senhorinha, que sonha conversar com eles e se alimentar de suas palavras. Assim ela escapa da pequenez e novamente ilumina o rosto com sua genuína alegria.

Concluímos juntas: pode ser que ao completar 80 anos esse alguém consiga fazer esse exercício sozinha e rapidamente. Pode ser que não. Quem sabe? E minha amiga de calendário torce para que sim.

Direitos e Deveres das pessoas com deficiência

Informações sobre leis e deveres das pessoas com deficiência

­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­CONCEITOS IMPORTANTES

Direito: “o que é justo, reto e conforme a lei.” Os principais direitos das pessoas com deficiência foram reconhecidos pela Constituição Federal de 1988, que fala da Seguridade Social.

Dever: é a obrigação moral ou legal de fazer algo. Quase sempre é a contra partida do direito. Por exemplo, o Governo e a Família têm o dever de fazer valer os direitos da criança e do adolescente.

Deficiência: é todo e qualquer comprometimento que afeta a integridade da pessoa e traz prejuízos na sua locomoção, na coordenação de movimento, na fala, na compreensão de informações, na orientação espacial ou na percepção e contato com outras pessoas.

Cidadania: é o direito de ter direitos e o dever de respeitar os direitos dos outros.

Políticas Públicas: são os programas e ser viços gratuitos organizados para atender os direitos da população. São decididas pelo governo em parceria com a sociedade (nos conselhos) e executadas pela Prefeitura, Governo Estadual e Governo Federal.

Poder Público: é a Prefeitura, o Governo Estadual ou o Federal. É operado pelos governantes eleitos e pelos servidores públicos.

­­­AS LEIS E OS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

A Constituição Federal de 1988 abriu caminho para várias legislações que afirmam a cidadania do povo brasileiro. Pela primeira vez uma lei no país fala da Seguridade Social, que é a proteção social para quem contribui e também para quem não contribui com a Previdência Social. Com isso ela tornou universal o direito à Saúde e à Assistência Social.

A Lei Federal n. 7.853, de 24 de outubro de 1989 é a mais importante das legislações que tratam os direitos das pessoas com deficiência. Esta lei foi regulamentada pelo Decreto 3298, de 20/12/1999. Nessas legislações encontramos a seguinte classificação das deficiências:

Deficiência Física – Alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções.

Deficiência Mental – Funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação antes dos 18 anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas tais como: comunicação, cuidado pessoal, habilidades sociais, utilização da saúde e segurança, convivência, habilidades acadêmicas, lazer, trabalho.

Deficiência Visual – Caracterizada por uma limitação no campo visual Pode variar de cegueira total à visão subnormal. Neste caso, ocorre diminuição na percepção de cores e mais dificuldades de adaptação à luz.

Deficiência Auditiva – Perda total ou parcial da capacidade de compreender a fala através do ouvido. Pode ser surdez leve, nesse caso, a pessoa consegue se expressar oralmente e perceber a voz humana com ou sem a utilização de um aparelho. Pode ser também surdez profunda.

Deficiência Múltipla – Associação de duas ou mais deficiências.

Crimes previstos na Lei Federal n. 7853/89 praticados contra as pessoas com deficiência:

a)    Recusar, suspender, cancelar ou fazer cessar, sem justa causa a inscrição do aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado por ser este uma pessoa com deficiência.

b)   Impedir o acesso a qualquer cargo público por ser uma pessoa com deficiência.

c)    Negar trabalho ou emprego por ser uma pessoa com deficiência.

d)   Recusar retardar ou dificultar a internação hospitalar ou deixar de prestar assistência médico-hospitalar ou ambulatorial, quando possível, a uma pessoa com deficiência.

Como a pessoa com deficiência pode agir contra tais crimes?

Sempre que um direito for ameaçado ou violado o primeiro passo é documentar tal ato. Por exemplo, se uma vaga é negada, deve-se pedir a quem negou para colocar isso no papel e assinar. No caso de ameaças ou violações de direitos de crianças e adolescentes deve-se procurar o Conselho Tutelar e registrar a denúncia. Outro caminho é a Justiça. Com as provas da violação qualquer pessoa com mais de 18 anos pode apresentar representação diretamente junto a uma delegacia de polícia ou diretamente junto ao Ministério Público Federal, ao Ministério Público Estadual e à Comissão de Direitos Humanos da OAB.

OS PRINCIPAIS DIREITOS DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM DEFICIÊNCIA

Convivência familiar e comunitária

O Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8069/90), a Lei 7853 e o Decreto 3298 de 1989 estabelecem que todas as crianças e todos os adolescentes inclusive os que têm deficiência devem conviver com dignidade, respeito e liberdade com seus familiares e na comunidade onde vivem. Para que isso seja assegurado, eles têm direito a brincar, estudar, ser atendidos em entidades sociais e serviços de saúde, na região onde moram.

Um dos mais importantes critérios para que isso aconteça tem a ver com o direito de ir e vir, que está relacionado com acessibilidade. E o que é isso? É a possibilidade e a condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação por pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida.

EDUCAÇÃO

A Constituição Federal em seu Artigo 205 diz que a Educação, direito de todos e dever do Estado e da Família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício e sua qualificação para o trabalho.

No Artigo 208, encontramos que o dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de:

(…) III – atendimento educacional especializado às pessoas com deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino.

IV – atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade.

ESPORTE, LAZER, CULTURA

Segundo o Programa de Ação Mundial para as pessoas com deficiência (ONU, 2001), as oportunidades de freqüentar atividades recreativas, restaurantes, praias, teatros, bibliotecas, cinemas, estádios esportivos, hotéis e outras formas de lazer devem ser para todos os cidadãos. Precisam ser adotadas medidas para que as pessoas com deficiências possam ser motivadas a usufruir integralmente desses serviços tendo acesso ainda às atividades culturais (dança, música, literatura, teatro e artes plásticas), utilizando ao máximo suas qualidades criativas, artísticas e intelectuais em prol de si mesmas e da comunidade.

SAÚDE

A Lei Federal n. 7853/89 e o Decreto 3298 asseguram que a pessoa com deficiência (e seus pais em caso de criança) tem direito a receber informações médicas, inclusive sobre os cuidados que ela deve ter consigo, notadamente no que se refere à questão do planejamento familiar, às doenças do metabolismo e seu diagnóstico e ao encaminhamento precoce de outras doenças causadoras de deficiência.

Existe lei que garanta a habilitação ou a reabilitação da pessoa com deficiência?

Sim, conforme o art. 2º parágrafo único, alíneas “c” e “e” da Lei Federal n. 7853/89; artigos 17, 18, 21 e 22 do Decreto Federal 3298/99 e artigo 89 da Lei Federal n. 8213 de 8 de dezembro de 1991, o Poder Público está obrigado a fornecer uma rede de serviços especializados em habilitação e reabilitação, bem como garantir o acesso nos estabelecimentos de saúde público e privado.

E se a pessoa com deficiência não puder se dirigir pessoalmente ao hospital ou posto de saúde?

É assegurado o direito a atendimento domiciliar de saúde pelo artigo 2º, inciso II, alínea “e”, da Lei Federal n. 7853/89, e pelo artigo 16, inciso V, do Decreto Federal n. 3298/99, à pessoa com deficiência física grave.

A pessoa com deficiência tem direito a instrumentos que o auxiliem a superar suas limitações físicas?

Sim, conforme os artigos 18,19 e 20 do Decreto 3298/99 a pessoa com deficiência tem direito a obter, gratuitamente, órteses e próteses (auditivas, visuais e físicas) junto às autoridades de saúde (federais, estaduais ou municipais) a fim de compensar suas limitações nas funções motoras, sensoriais ou mentais.

Existe também o direito a medicamentos?

Sim, o Poder Público está obrigado a fornecer gratuitamente medicamentos necessários para o tratamento da pessoa com deficiência. Se não for fornecido deve-se procurar um advogado ou a Defensoria Pública, pois a Justiça constantemente dá ganho de causa nessas ações.

Que providências podem ser tomadas em caso de a deficiência ocorrer por erro médico?

O cidadão deve procurar um advogado e a Promotoria de Justiça do Erro Médico. Ele poderá requerer o tratamento e, inclusive, uma indenização se ficar comprovado o erro.

Qual o direito da pessoa com deficiência internada em instituição hospitalar?

É assegurado pelo artigo 26, do Decreto n. 3298/99 o atendimento pedagógico à pessoa com deficiência internada em instituição por prazo igual ou superior a um ano, com o intuito de assegurar sua inclusão ou manutenção no processo educacional.

A pessoa com deficiência tem direito a desfrutar de plano de saúde para tratamento de sua deficiência?

Sim, conforme o artigo 14 da Lei Federal n. 9656/98 de 03 de junho de 1998, não pode haver impedimento de participação nos planos ou seguros privados de assistência à saúde às pessoa com deficiência.

TRABALHO

Quais são os direitos das pessoas com deficiência no que se refere aos concursos públicos (sociedade de economia mista, autarquias, fundações públicas e também União, Estados, Municípios e Distrito Federal)?

Há vários aspectos a serem considerados:

  1. A Lei Federal n. 8112, de 11 de dezembro de 1990, art 5º, reserva um percentual de cargos e empregos públicos para as pessoas com deficiência e define os critérios para sua admissão.
  2. Em concursos públicos federais (no âmbito da Administração Pública Federal, ou seja, empresas públicas federais, sociedades de economia mista pública, autarquias federais, fundações públicas federais e também a própria União) até 20% das vagas são reservadas às pessoas com deficiência. Desta forma, este percentual não é o mesmo para cada estado, município ou para o Distrito Federal, porque é a lei de cada uma dessas entidades que irá estabelecer o percentual de quotas de admissão para as pessoas com deficiência. Por exemplo, no Estado de Minas Gerais, Constituição Estadual, art. 28 e a Lei Estadual n. 11867 de 28 de julho de 1995, tal percentual é de 10%
  3. As pessoas com deficiência têm preferência ante os demais, caso aprovado no concurso, independente de sua classificação.
  4. Caso nenhuma pessoa com deficiência seja aprovada em um concurso, desconsideram-se as vagas reservadas para eles.

O que acontece quanto ao trabalho em empresa privada?

A lei Federal n. 8213/91, art. 93, prevê proibição de qualquer ato discriminatório no tocante a salário ou critério de admissão do emprego em virtude de ter a deficiência.

A empresa com 100 (cem) ou mais empregados está obrigada a preencher de 2% a 5% dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas com deficiência, habilitadas. O percentual a ser aplicado é sempre de acordo com o número total de empregados das empresas, dessa forma:

  1. Até 200 empregados – 2%
  2. De 201 a 500 – 3%
  3. De 501 a 1000 – 4%
  4. De 1001 em diante – 5%

Toda pessoa com deficiência tem direito a reserva de vagas em concursos públicos ou em empresas privadas?

Não, nem todas as quotas de reserva de empregos destinam-se a qualquer pessoa com deficiência, mas sim se destinam aos que estejam habilitados ou reabilitados, ou seja, que tenham condições efetivas de exercer determinados cargos. É preciso, então, que apresentem nível suficiente de desenvolvimento profissional para ingresso e reingresso no mercado de trabalho e participação na vida comunitária.

O que é habilitação e reabilitação?

É o processo que permite à pessoa com deficiência adquirir desenvolvimento conforme o art 89 da Lei Federal n. 8213/91, arts 17, 18, 21 e 22 do Decreto n. 3298/99 e Ordem de Serviço n. 90 do Ministério da Saúde e Previdência Social. Para maiores informações sobre colocação e recolocação no mercado de trabalho deve-se procurar a Delegacia Regional do Trabalho e/ou a CAADE.

Como fica a jornada de trabalho para o responsável com os cuidados com a pessoa com deficiência?

Fica o Poder Público autorizado a reduzir para 20 (vinte) horas semanais a jornada de trabalho do servidor público estadual legalmente responsável pela pessoa com deficiência em tratamento especializado. Tal benefício é concedido por seis meses podendo ser renovado por igual período de acordo com a necessidade (art 1º. e 3º. da Lei Estadual n. 9401 de 18 de dezembro de 1986. (Minas Gerais).

REFERÊNCIAS IMPORTANTES EM BELO HORIZONTE/MG

Conselho Tutelar: órgão público que recebe, atende e dá encaminhamentos a denúncias de ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente.

Telefones: Barreiro – 3277 9115; Centro Sul – 3277 4544; Leste – 3277 4407; Nordeste – 3277 5674; Noroeste – 3277 7224; Norte – 3435 1113; Oeste – 3277 7008; Pampulha – 3491 6266; Venda Nova – 3277 5512.

Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência: decide sobre os programas e serviços que devem existir na cidade para as pessoas com deficiência. Telefone: 3277 4694.

Promotoria dos Direitos da Pessoa com Deficiência: defende os direitos da pessoa com deficiência. Telefone: 3335 8375.

CAAD – Coordenadoria de Apoio e Assistência ao Deficiente: órgão estadual que coordena as políticas públicas para a pessoa com deficiência. Dentro do CAAD funciona um serviço de encaminhamento a emprego. Telefone: 3275 4145.

(Baseado em material Muriki – Formação – Prefeitura de Belo Horizonte, MG)

 

INCLUSÃO – Direito incondicional de convivência

por Maria Lucia Pellegrinelli

( p.s. Utilizamos aqui no site um formato de vídeo, adaptado da apresentação de powerpoint original. Não é o mais indicado, pedimos desculpas. Para pausar as páginas, enquanto lê, basta clicar em pausa com seu mouse. )

Cuidado Consigo – Cuidadores, por Maria Lucia Pellegrinelli

Esta apresentação foi feita para trabalhar com as pessoas envolvidas como CUIDADORES de pessoas com deficiência (e também, possivelmente de Idosos).

Diante disso, considero um cuidador como um educador e desenvolvo a necessidade dele cuidar de si mesmo.

Este foi um trabalho rico, com um grupo de profissionais do interior de Minas Gerais, dispostos a se debruçarem no trabalho com afinco e determinação.

Penso que pode trazer luz às pessoas envolvidas com o CUIDADO.

Desejo que todos apreciem. Obrigada.

Maria Lucia Pellegrinelli

( p.s. Utilizamos aqui no site um formato de vídeo, adaptado da apresentação de powerpoint original. Não é o mais indicado, pedimos desculpas. Para pausar as páginas, enquanto lê, basta clicar em pausa com seu mouse. )

Você sabe a diferença entre estar junto e estar com o outro?

Maria Lúcia Pellegrinelli*

Temos uma frase que define de maneira simples e objetiva o conceito de inclusão. Vejamos:

Inclusão é incondicional.

Não sujeita a restrições, que não estabelece condições.

No livro Exercício do Respeito, tem uma passagem em que é possível perceber a clareza e a convicção desta afirmativa:

“A inclusão é uma questão de PRINCÍPIO. Não dá para com jeitinho incluir ou incluir mais ou menos. Ouço dizer que é muito difícil conviver com pessoas com deficiências, que é complicado entendê-las, educá-las, aceitá-las, mas que temos o dever de nos relacionarmos com elas. Façamos um exercício extremamente rico, vamos ter um olhar às avessas para isso: difícil é não entendê-las, não educá-las, não aceitá-las. Eu vou além: temos mais que o DEVER, temos o DIREITO de nos relacionarmos com elas. Isso muda tudo. Quem se dispõe a experimentar está se dando a chance fantástica de crescer, pois, ao se ver espelhado no outro, descobre a riqueza do humano.”¹

Ao desenvolvermos nossa capacidade de receber o outro, nos damos o privilégio de conviver com as diferenças. A amplitude que alcançamos ao enxergar que o outro é essencialmente diferente nos dá a dimensão do que é compartilhar a vida. Independentemente de quem seja este outro, de sua cor, sua raça, sua condição mental, motora. Qualquer que seja este outro ele é ímpar.

Ao depararmos com o outro constatamos a diversidade humana e, sobretudo, nossa frágil condição de que somos todos humanos. Aí temos algo fascinante: tão diversos e tão iguais. Com tantas necessidades distintas e tão semelhantes.

Li, escrito em uma camisa de malha branca, com letras pretas e fortes: EU SOU VOCÊ, VOCÊ SOU EU.

A inclusão essencialmente nos traz esta verdade: diante de nossa humanidade reconhecemos que todos somos um.

Estar com o outro nos faz buscar conhecê-lo, saber de suas desventuras, de seus sonhos. Faz com que seja possível recebê-lo, acolhê-lo seja qual for sua condição. Isso é incluir. Receber o outro, interagir, por vezes, nos dá a chance de encontrar dentro de nós mesmos o que não raramente buscamos mundo afora. Pois, no encontro está a possibilidade de reconhecermos o que somos, almejamos, conquistamos.

O grande ganho da inclusão é viver a experiência da diferença. Parece contraditório, mas é nesta diferença que encontramos nossa igualdade: ao nos vermos no outro, não no lugar dele.

Você não pode ter um lugar no mundo, sem considerar o do outro, valorizando o que ele é e o que ele pode ser. E assim, se valorizando.

A inclusão provoca ações transformadoras porque o sucesso não é somente da pessoa com deficiência, mas de todos os envolvidos, do educador, da família, da comunidade como um todo.

A especialização para atender às necessidades de todas as pessoas e não apenas de algumas delas, as especiais, deve ser a meta da capacitação profissional em todos os níveis de formação.

“Cada pessoa é um pacote indivisível de talentos e de limitações combinados em proporções variáveis em função das oportunidades que a vida traz desde a concepção. Jovens, adultos e idosos são mais ou menos talentosos, ou limitados, dependendo dos recursos que o meio ambiente oferece.”²

Diante disso, o desafio de viver a inclusão no trabalho se faz mais instigante: aprender a estimular, a oferecer oportunidades. Especializar em trabalhar com toda e qualquer pessoa. Especializar no humano.

Oferecer o que é útil, enfrentar e viver a vida como um ser livre, criativo e justo. Este deve ser nosso objetivo. A convivência centrada nas possibilidades e não nas dificuldades das pessoas é uma abordagem efetiva.

Concluindo volto à pergunta inicial: podemos estar junto do outro quando estamos em um cinema, num ponto de ônibus, num barzinho. Um aglomerado de pessoas que podem nem pousar os olhos umas sobre as outras. Porém, estar com o outro implica em interação, em comunicação. Nisso consiste a convivência.

Se a inclusão não se dá deste para aquele, deste sobre aquele, mas sim deste com aquele, vamos estar uns com os outros?

¹ – Exercício do Respeito, Mazza Edições, 2004.
² – Maria Teresa Eglér Mantoan.

 

*Fisioterapeuta, educadora inclusiva, autora do livro Exercício do Respeito.