A Família como cuidadora da pessoa com deficiência

por Maria Lúcia Pellegrinelli
Fisioterapeuta
Educadora Inclusiva

Material apresentado nas oficinas do Congresso das Federações das APAEs em Jaraguá do Sul/SC – outubro/2017

Objetivos:

Questionar
Aprofundar conhecimentos
Aperfeiçoar as habilidades do cuidador no desempenho de suas funções como mediador e facilitador de ricas experiências para o ser humano

Exercitar a capacidade de percepção, análise e interpretação de problemas vivenciados pelas pessoas idosas ou com deficiência
Levantar as questões de proximidade e discriminação
favorecer a prática do respeito e o acolhimento do outro

Em síntese, a identidade marcante deste trabalho reside no caráter de sensibilização do indivíduo.
A partir daí, a capacidade se desenvolve para a habilidade essencial:
o contato com o ser humano.

(…) Íntegra deste material, veja slides abaixo:

Dona da casa da vida

– Sabe quem é a dona desta casa?

– Sabe quem manda aqui?

transponder_love_wallpaper_by_anasyEu chegava à sua casa, no meio da manhã de uma terça-feira, e ela olhava séria e provocativa para a pessoa que cuida da casa e dela. Perguntava com força na voz, querendo fazer valer quem ela é. A contratada para ali trabalhar vendo-se no direito de mandar em como e o que fazer com o intuito de limpar, de organizar, de cozinhar e de tudo o mais que demanda uma casa. Esquecendo-se do detalhe fundamental: a dona da casa existe. Vive.

Temos quase sempre a impressão que uma pessoa com diagnóstico de Alzheimer já traz escrita na testa sua perda de autonomia, de identidade, de independência. Como se a doença se instalasse e ligeiramente já tomasse conta da casa e se fizesse dona.

Mas a verdade é que ela vem sorrateira, dissimulada nas palavras deslocadas, na risada fora de hora, no sumiço do sabonete que certamente desceu com a descarga no vaso sanitário. Ela instala-se, porém a dona da casa ainda tem força para reivindicar seu lugar. E apodera-se dele com desejo de vida.

Essa mesma pessoa que fala bravo, do alto de sua lucidez oscilante, me oferece flores arrancadas pela sua mão firme, do jardim do prédio ou da jardineira da janela da sala de jantar. Quase toda vez que nos encontramos. Não diz palavra, só me oferece. Seu gesto é tudo. Leva o olhar, que ora desamparado, ora sustentado pela vitalidade, desabrocha na azaléia coral que trago comigo.

Murcha entre as páginas do meu livro de cabeceira, está viva. Muito viva.