Intervenção Precoce – como estimular seu bebê

Intervenção Precoce – como estimular seu bebê

clipboard01A maior parte dos programas de estimulação precoce são dirigidos a crianças de 0 a 3 anos. Como é sabido, há grande variação no desenvolvimento das crianças e por isso é importante não fixar idades para a aquisição de habilidades.

Com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento da criança trago aqui algumas sugestões do que fazer no dia a dia especialmente de crianças com atraso em seu desenvolvimento tanto de funções motoras quanto das mentais.

Essencial que, ao estimular, você se sinta seguro e tranquilo com a situação – que o ambiente seja favorável a uma intervenção prazerosa e agradável ao bebê.

O bebê molinho, menos ativo e o mais durinho, que por isso também fica menos ativo certamente terão conquistas mais tardias das diversas fases do desenvolvimento, isso não significa necessariamente que a qualidade das conquistas seja comprometida. Importante ressaltar que a qualidade do movimento adquirido é também nosso objetivo, além do movimento em si.

A estimulação procura dar ao bebê condições para desenvolver suas capacidades desde o nascimento. Isso se aplica a todas as crianças com ou sem atraso.

O termo mais correto seria Intervenção Precoce e não Estimulação, pois todas as atividades que se realizam com a criança são estímulos. Portanto, Intervenção Precoce é, na verdade, um estímulo direcionado.

Você deve observar o que o bebê faz com facilidade e o que é difícil para ele. Cada criança é única e individual, assim, a intervenção deve ser feita de acordo com o que ela apresenta e de acordo com suas capacidades.

A família não deve alterar drasticamente seu dia a dia para estimular seu bebê, os pais devem estar dispostos e com tempo para estimular a criança, é importante que as atividades sejam agradáveis para ambos.

Cada criança tem seu próprio ritmo que os pais ou cuidadores percebem e aprendem a respeitar.

Certamente quando a criança estiver calma, sem sono, seca e alimentada é a melhor hora para realizar os exercícios.

O desenvolvimento da criança depende muito do ambiente em que ela vive. Qualquer coisa pode ser um estímulo para ela: brinquedo colorido, música, conversa, o próprio movimento da casa ou do local onde esteja. Não é interessante oferecer muitos estímulos ao mesmo tempo – o excesso de estímulos pode confundir a criança, dificultar sua concentração.

É necessário mudarmos o bebê de posição diversas vezes ao dia, enquanto estiver acordado. Novas posições farão com que ele perceba as diferentes partes de seu corpo e o relacione com o ambiente. A mudança de local também o ajuda, é bom levá-lo a vários lugares da casa.

Desenvolvimento de zero a seis meses

As pessoas evoluem de uma total dependência quando são bebês, para a capacidade de andar e para a independência em um espaço extremamente curto de tempo. Durante os primeiros meses a aquisição motora mais importante é o controle de cabeça. Isso significa que a criança deve manter a cabeça alinhada ao corpo, qualquer que seja sua posição: deitada, assentada e, mais tarde, em pé. Nessa fase inicial, o bebê irá fortalecer os músculos das costas, do pescoço e dos ombros, permitindo que ele levante a cabeça quando deitado de bruços e até se apoie nos cotovelos e nas mãos. Ele aprenderá a rolar, depois conseguirá permanecer assentado com apoio e, mais tarde, sozinho.

Hipotonia

Os músculos de nosso corpo apresentam um estado de tensão, mesmo quando estamos dormindo ou em repouso. Esse estado é chamado tônus. A hipotonia muscular ou tônus muscular diminuído é muito comum em bebês com Síndrome de Down, por exemplo, isto é, seus músculos são mais molinhos e flácidos, embora o grau de hipotonia varie de criança para criança. A hipotonia diminui com a idade. O bebezinho hipotônico se movimenta menos. Quando deitado de costas suas perninhas ficam exageradamente abertas, ele demora mais para sustentar a cabeça, assentar, ficar de pé e pode também ter dificuldades para mamar.

O tônus muscular precisa ser suficientemente alto para nos manter contra a gravidade e suficientemente baixo para que possamos nos movimentar. É necessário o diálogo tônico para o equilíbrio.

Como a hipotonia deixa o bebê mais molinho, é importante realizar os exercícios quando ele estiver desperto. Além disso, para ele colaborar mais com a estimulação, você pode fazer algumas brincadeiras que o deixarão mais alerta e participativo.

Segure-o no colo e balance-o de um lado para o outro, para frente e para trás em várias direções – como na Fig. 1.

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Outro modo de estimulá-lo é colocando-o assentado em seu colo, com as pernas sobre as suas e o corpo apoiado no seu – Fig. 2 –, e assim dar pequenos pulinhos como se fosse brincar de cavalinho.

Para o bebê com hipertonia (mais durinho) não é interessante o cavalinho da Fig. 2, pois esse movimento irá aumentar ainda mais seu tônus. Já o movimento da Fig. 1 fará bem a ele.

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Quando estiver assentado, conversando, assistindo TV, coloque o bebê de bruços sobre suas pernas, deixando os bracinhos livres e dê estímulos com suas mãos na cabeça e nos pés para que ele se movimente. Emita sons agradáveis para ele ouvir. Fig.3

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Coloque-o também de costas sobre suas pernas, brincando com ele, estimulando-o a pegar sua mão. Como você fez anteriormente, dê leves estímulos nos seus pés, empurrando-os para baixo. Fig. 4

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Crianças com hipotonia (mais molinhas) às vezes têm mais dificuldade para sugar o leite e assim precisam de mais tempo para mamar o suficiente. Os bebês alimentados no peito têm maior resistência, melhor ganho de peso e chance de maior contato afetivo com a mãe.

Quando o bebê for alimentado com mamadeira, o bico deve ser ortodôntico e com furo pequeno para que o líquido saia em gotas. Isso estimula a musculatura da boca e da face, preparando-a para movimentos usados na fala.

A posição indicada para a amamentação deve ser: o bebê com os dois braços para frente e a mãe com seu braço erguido levemente apoiando a parte superior da cabeça do bebê, para que ela não fique caída para trás.

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A postura correta na amamentação é tão valiosa quanto um exercício específico. A mamadeira, quando utilizada, deve formar um ângulo de 90 graus com a cabeça do bebê – como na Fig. 6.

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Evite deixar o bebê muito tempo na mesma posição. De lado e de bruços são posições estimulantes e adequadas.

A posição de bruços estimula o controle de cabeça e exercita a musculatura do tronco e do pescoço. Deve ficar nessa posição quando já consegue se manter com apoio dos cotovelos e movimentando a cabeça. A criança pode ficar nessa posição sem travesseiro já nas primeiras semanas de vida, sempre com a supervisão de um adulto. A partir dos cinco meses, você já pode deixá-la no chão. Fig. 7

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Se o bebê, ao ficar de barriga para cima, deixa as perninhas muito abertas pela hipotonia, é interessante manter as pernas unidas com o uso de travesseiro ou almofada como na Fig. 8.

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A posição mais adequada para dormir é de lado, com um travesseiro apoiando-o nas costas – Fig. 9. Evite que ele durma de bruços, o que pode dificultar a respiração.

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Para carregar a criança no colo, deve levá-la ora no braço direito, ora no esquerdo, formando uma cadeira com seus braços mantendo as perninhas juntas como na Fig. 10.

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A hora do banho é muito boa para estimulação – com brincadeiras, procure estimular o corpo da criança principalmente a barriga, as costas, os pés, a palma das mãos com uma esponja mais áspera ou pano atoalhado, com texturas diversas. Isso estimula a sensibilidade da pele do bebê. Converse com o bebê, conte o que está fazendo, cante. Brinque com o tom e a altura de sua voz, isso chama a atenção da criança. Fig. 11

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Ao vesti-lo, se possível, deixe seus pés e mãos livres para que ele possa tocar seus pés e movimentar-se.

Brinquedos

Os brinquedos objetivam estimular o bebê na área motora e sensorial (visão, audição, tato, olfato). Use objetos com cores vivas, brilhantes, de formas e tamanhos diferentes, que produzam sons e efeitos diversos, com materiais variados, como pano, espuma, plástico, metal, madeira. É importante lembrar que é por meio da brincadeira que a criança desenvolve a percepção do espaço, aprende a relacionar-se com o outro e a descobrir e descobrir-se. O brinquedo favorece o relacionamento da criança com o ambiente, a criatividade e a autoconfiança.

Todo bebê leva à boca o que estiver ao seu alcance, pois a primeira forma de explorar o ambiente é por meio da boca e, mais tarde, da visão e do tato. Por isso, evite objetos sujos, cortantes, pontiagudos.

Brinquedos no berço constituem uma fonte de estímulo visual. Se a posição dos brinquedos for trocada de tempos em tempos (algumas semanas), o bebê será ainda mais estimulado na área da visão. Mais tarde, quando colocar o bebê reclinado, ele poderá tocar com as mãos e os pés brinquedos que produzam som. A criança aos poucos aprenderá que o som acontece quando ela encosta no objeto. Nesta fase, caixinha de música, por exemplo, é adequada e estimulante. Fig. 12

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Exercícios

Alguns exercícios feitos regularmente também contribuem para o desenvolvimento do bebê.

Inicie balançando a criança de um lado para o outro, para frente e para trás. Esse é um bom exercício para estimular o equilíbrio.

Depois coloque o bebê de bruços, de modo que ele possa olhar um objeto colocado não muito distante (por volta de 30 cm). Utilize um rolinho de espuma ou uma toalha embaixo de seu peito, mantendo os braços apoiados à frente. O rolo não deve ser muito grande para não forçar a coluna do bebê. Fig. 13

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Chame sua atenção para que ele possa virar a cabeça para um lado e para o outro. Como ele está desenvolvendo a visão brinquedos com cores fortes são bem-vindos.

Com a criança de barriga para cima, faça-a rolar lentamente para um lado e para o outro, olhando objetos coloridos colocados ao lado. Fig. 14

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Se você der um apoio no quadril ou ombro do bebê, ele virará mais facilmente. Tenha o cuidado de não fazer o movimento por ele, a ideia é estimulá-lo a fazer o movimento por si mesmo. Cuide para que o braço que fica por baixo fique livre à frente do corpo.

Coloque a criança no chão ou numa superfície firme, de bruços, com um rolinho debaixo do peito. Espalhe poucos brinquedos coloridos à sua frente para chamar sua atenção. Você pode mantê-la pelas coxas ou pelo quadril, empurrando-a lentamente para frente e para trás. Fig. 15 Esses exercícios ajudam a fortalecer a musculatura do pescoço e do tronco.

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Faça barulhos com chocalho, guizo, apito, palmas, música em torno da cabeça do bebê para que ele olhe na direção dos sons. Fig. 16

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Segure o bebê em pé, apoiado, de costas para você, encostado em seu corpo, para que ele sinta o peso sobre os pés. Fig. 17. Sustente com apoio o quadril e o tronco da criança, mas deixe seus braços livres.

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Estimule-o a bater palmas segurando nos cotovelos Fig. 18. Ou então coloque o bebê assentado apoiado em almofadas, chamando a atenção dele com brinquedos e com sons para que ele tente pegar ou virar a cabeça.

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Dê à criança bichinhos de borracha bem macios que tenham pontas (rabinho, orelhas, etc.) para que ele coloque na boca – isso faz com que movimente a língua e traz sensações agradáveis.

Com a criança deitada de costas, estimule a virar de lado e a apoiar o peso sobre o cotovelo. Ajude a elevar o ombro e cabeça do chão, como se fosse assentar. Chame sua atenção com brinquedos coloridos e sons. Fig. 19.

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Você também pode fazer o exercício inverso: com a criança assentada, ajude-a a deitar, primeiro sobre um lado e depois de costas. Evite que ela desmorone, é necessário aprender a controlar a cabeça.
Enfim, tão importante quanto a estimulação física é o contato com seu bebê. Converse sempre com ele, se estiver triste diga a ele o que entristece; se alegre, conte o motivo da alegria, fale de suas frustrações e de suas realizações, de seu amor incondicional e de suas dúvidas. Mantenha-o próximo a você para aquecê-lo e protegê-lo.

O bebê cresce e assim aumentam suas chances de se tornar um adulto com respeito e respeitado pelo mundo.

PS: Estas observações e atividades também são válidas e importantes para pessoas que trabalham com crianças.

Fonte: cartilha escrita por Denise A. S. Batista, Maria Cecília S. de Oliveira, Maria Teresa G. R. Campos, Nina A. B. Pagnan, Sonia Casarin.

 

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